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quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Milagre

Vou;
É tarde,
a lua dorme já na aurora fria
onde o sol a espia.
Fica; aqui comigo,
neste abraço amigo
até já ser bem dia.
Já vou; o tempo é um milagre,
aproveita o que te dou.
Se retorquísse "até já"
aguardarias por mim
no teu leito de cetim
por um novo olá;
num sonho doirado,
o beijo apertado
um tanto molhado
e um velho sofá?
Por maior milagre
o tempo nunca sobeja
quando alguém se deseja,
quando a alma flameja,
e quando chamo por ti.
Se um milagre fosse
seria um beijo doce,
e um milagre assim,
milagre.
Se dissesses sim.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Mamã (Remorso)

Um dia beijei.
Arrependi-me.
Mas voltei a beijar.

Fui o que sonhei,
atirei-me à luta, fiz-me um homem
cresci, sofri
mas nunca chorei.
Arrependi-me.

Forte na razão,
bem mais fraco de coração
por não crer, por não ver
não me abrir, não o admitir.

Fui fraco.

Hoje, no fim,
lembro o inicio
e minha mãe.

Tantas beijei,
por amor, por ardor
nesse calor da paixão,
sem me arrepender,
sem dizer não.
Faltou-me,
um beijo,
cumprir esse desejo:
beijar-te com fervor,
chamar-te, meu amor,
"mamã".

Arrependo-me.

P.S.: Este vem um pouco atrasado (o dia da mãe já acabou)! No entanto não se deixem atrasar. Nunca se esqueçam de mostrar a alguém especial o quanto o amam. Um dia pode ser tarde de mais.
Saudações "Versopianas" para todos.

domingo, 11 de janeiro de 2009

A Noite

Foi, na noite,
no dia da noite,
na magia do beijo
na bruma do desejo
na espuma do mar,
onde fomos acabar.

Foi, nessa noite,
um instante,
num olhar,
e de rompante como a galopar
os dois, a sós,
desatando nós,
aprendendo a dar.

Na noite,
estrelas cadentes e
pincéis reluzentes
a pintar amor
Em tintas escaldantes
cores deslumbrantes,
usadas sem pudor.

O calor, a paixão,
o abraço e a união
e os dois, depois
acabando num.

Cai, a noite,
o tempo afasta,
a paixão já basta
é hora de ir
E saem sem sorrir
no ventre da noite
sem querer,
sem se ter.

E finda a noite.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Ninguém


aqui, no vazio,
neste mundo, no frio
em algum espaço,
no regaço,
de um homem?
É falso, que afirmo:
esse laço não é.
Um devaneio, ausente,
carente,
de quem se afirma eloquente,
prudente não é.
Na loucura, do ser,
na procura, de ter,
alguém, que saiba,
realmente ser?
Não é; ninguém.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

O homem que espera

Enquanto espera sentado
nesse banco, num qualquer lado
de olhar alheado,
o tempo passar

Já estava combinado
como fora esperado,
como no passado,
ela chegar

Olha o relógio, insiste
espera e desiste e
vai-se cabisbaixo e triste
não há volta a dar

Sempre foram os dois
como o antes e o depois
Tempo, que cruel sois
como podes dar e tirar?

Partiu numa outra aventura
numa prova de força dura,
desta vida estranha e obscura,
que é aprender a amar.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Vem


Vem,
Da-me a tua mão
faz-me sentir vivo
não digas que não

Conheço-te
talvez melhor que a mim
espero-te assim,
comigo

A cada momento
sonho-te aqui
vejo-te a Ti
no meu pensamento

Vem,
Sei que procuras
Tu também choras
e as lutas são mais duras
com o perder das horas

Gastemos abraços,
juntemos laços
em tempos a dois
Só o agora interessa,
esquece o depois, Vem

Vamos partir à aventura
desenhar uma trama
numa cena madura
Porque o amor também chama
em tempo de loucura

Quero ver-te gelar
em todo o meu calor
sentir o teu respirar
entre beijos de ardor

Vem,
Não aguento esta dor
Quero ver o céu
tirar o teu véu
e descobrir o amor

Vem

Dia13















Lê, descobre-me
Interpreta-me a teu gosto
Espelha-o no rosto:
o Gesto feliz.
Se és tu quem diz
que quem o faz sem esforço
já não é aprendiz.
Mostra-me um rosto feliz :)

Espero que tenhas Gostado.
É inteiramente Teu.
Um Grande Beijo ***

segunda-feira, 24 de março de 2008

Estórias

Chamavam-lhe "Menina",
os navegantes,
quando chegavam errantes,
plenos de rum e de sal.
Sabiam-na lá
e conheciam o seu mal:
não saber dizer não.

Mil homens passaram
outros tantos a amaram
jamais deixando lembrança
Vindo da tormenta
nenhum homem aguenta,
chegada a bonança.

Procuravam o gozo,
a paixão,
trocando o seu não
por um punhado de estórias
e ela vivia as suas glórias
bem lá no mar.

Chegavam em romaria
e todo o marinheiro queria
a "Menina" encontrar.
Todos sabiam seu perfume
conheciam o seu lume
e adoravam se queimar.

Mil leitos passados,
incontáveis beijos dados
Em mil horas de prazer.

As estórias não fazem vidas
e todo o ser busca
até se encontrar.
Quantos se perdem no caminho
quando a busca é o destino
e nada há além do mar.

Encontraram-na no Tejo,
braços estendidos ao seu amor.

Estórias:
outrora brilhos em seu olhar
eram agora seu corpo hirto,
lutando por boiar.

















(Imagem Andy Higgs - All at Sea)

domingo, 9 de março de 2008

Ter

Tão imundo,
sujo e pestilento,
como um cão largado ao relento.
Abandonado e triste
mas sem choro,
sem queixume.
Encontrou no lixo o seu perfume.

A lástima fica aos fracos
como a dor do nunca ser.
Aos outros cabe a vontade:
a virtude de não ceder.

Na palavra já sem vida,
mecânica e sem expressão,
nas vozes que se calam,
não apelam mais à razão.
Em pessoas sem passos,
sem trilho a percorrer;
em feridas que doem,
que sangram sem saber.

Entrou pela porta dos fundos.
Encontrou neste, outros mundos
e fez deles a sua casa.

O corpo hirto,
feito de fome e de frio
faz da vida um mito,
em busca de desafio.

Aos que nunca viram
e não sabem o que é sofrer
diz que o corpo não doi,
quando nada há a perder.

Nesta vida terrena
o sofrimento é seu irmão.
Por mais que o corpo doa
não lhe deixa recordação.
O seu mal é o vazio
que lhe preenche o coração.
É o que morre de fome.
É o que treme de frio

É o que não encontra amparo
na vontade de vencer,
por mais que por ele se lute
mais ele nos vai doer.

"Ninguém vive sem palavras,
sem emoções ou sem alimentos.
Ninguém vive sem falar,
sem acções ou sentimentos."

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Palavras

Pedes-me palavras,
somente palavras.
Formato versífico,
de tom específico e,
converteza, carácter verdadeiro.
Não sendo dos primeiros
iniciam-se trabalhos,
colam-se retalhos
de mil outros universos literários
e doutros tantos pioneiros.

Pedes-me palavras
e eu escrevo-as com fervor.
Num poema de desatino
junta-se o sinónimo ao antónimo
como o frio ao calor.
Na vida sem destino
cabe tanto ao pesadelo o riso,
como à verdade o horror.

Somente palavras...
de cariz seleccionado
e aspecto rebuscado,
na sua confecção.
Esqueces-te que sou humilde
de natureza e apelo apenas;
ao coração.

Pedes-me palavras,
de "sonzinho" aberto
e sem um único senão.
De letrinha pequenina
do teu alfabeto predilecto
e com pouca acentuação!

Pedes-me Palavras,
Somente Palavras.
Ofereço-te "Amor";
e "Paixão".

Para um "Alguém" que me pediu "Palavras".
Ofereço:

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Parabéns

Era uma vez,
conta uma velha história de algibeira.

Uma menina pequenina
linda como a luz da lua
De seu sorriso inocente
E uma personalidade muito sua.

Os seus olhos faiscantes
de uma beleza singular
pareciam rios alucinantes
correndo soltos para o mar.

Os seus caracóis de oiro
no seu cabelo estelar
eram como ondas suaves de oceano
em noites serenas de luar.

Brincava alegremente,
pelos campos sem temor
Dava os bons dias ao sol,
ou à chuva,
imitando os bichos em redor.
Era simples, era pura
falando abertamente
sem pudor.
Era forte, era justa:
para ela
tudo tinha o seu valor.

Tudo muda com o tempo
e os dias passam a correr.
A menina cresce,
com os anos,
aprende e faz-se uma mulher.

Crescer traz sabedoria,
dá-nos força e experiência.
Superando toda a Invernia
com calma e paciência.

Manter o menino que há em nós
é importante como o crescer.
A velha doçura na voz
e a inocência do ser.
Sorrindo, a toga a gente
com uma vontade jovial
E os sonhos de sempre
num brilho sem igual.

Dia sete faz vinte e um,
três, ao todo, de menina.
Vai chegar à idade adulta
com um coração de pequenina.

Neste dia especial
todos cantam com reverência
Para lhe lembrar o ritual
de crescer com consciência.

Era uma vez uma pequenita
que logo se fez mulher.
Com uma inocência bem bonita
E uma maturidade de crescida.

Lhe desejamos os Parabéns
do fundo do coração.
Cantando a uma só voz
a antiga canção.

Parabéns,
Neste dia especial.
Que sejas muito feliz
E uma vivência sem igual.

quarta-feira, 4 de julho de 2007

É Mentira

As vezes, procuro nas palavras
um refúgio para tudo o que não te disse.
Tento esconder da alma, o pó e a lama,
esconder a magoa, apagar essa chama.

E quando as palavras não querem sair
vejo-me sozinho sem saber para onde ir,
olho em volta e não vejo a saída.
Perco a resposta na ponta da lingua
para tudo o que queria dizer,
já não o sei fazer.

Porque é que a vida nos guia
para onde não queremos ir
pregando, errantes, na chuva fria
às noites quentes que ficaram por vir
Quando é mentira,
sabendo que não virás
sei que é mentira
olho em volta sabendo que não estás.
é mentira.

Nessas noites quentes de verão
sinto o imenso frio da solidão
aconchego-me à recordação
de outras noites de paixão
mas este frio interior
que me faz arder de amor
gela-me nú ao relento
sozinho,
sem pão nem sustento
ou fonte de calor.

E quando o aperto é maior
e os dias são sempre iguais
procuro mais próximo um rosto
e tento lembrar esse gosto
que me faz pensar sempre em mais
que me obriga a pedir mais

Mas é mentira,
porque a vida nos guia
para onde não queremos ir
pregando, errantes, na chuva fria
às noites quentes que ficaram por vir
Quando é mentira,
sabendo que te perdi
sei que é mentira
e a história acaba aqui.

É mentira.

sexta-feira, 29 de junho de 2007

Recordação



Esse retrato, no fundo do baú
que é o coração.

Há tanto que não o via
mesmo à mão de se encontrar.
A imagem da utopia
no meu espaço singular.

É luz na minha mão,
pedaço de papel descorado
e num instante de trovão
mil memórias de aconchego
e outras tantas de solidão.

Ora papel, ora pincel
a magia sobre a tela
e os tons de aguarela
com que pintamos sem pensar.
Cores quentes de paixão
em traços finos de emoção,
onde se aprende a amar.

Éramos cor e acção
dois sujeitos e predicado
numa única oração.
Sem imperfeito conjugado
ou qualquer outra imitação
fomos o "flash" do momento
não sendo amor de ocasião.

Nesses retratos, estavas tu
onde te pintava a olho nu
em cores lindas de encantar,
no meu espaço singular
que é o coração:
Um baú a abarrotar
de tanto te guardar
na minha recordação.

(Imagem: Pandora's Box - Arthur Rackham)

quarta-feira, 30 de maio de 2007

A Um Ser Ausente


Será que o sol ainda se mostra
para lá do mar?
Naquele lugar só nosso
onde um dia ousamos sonhar?

Poderá haver calor escondido na neve?
Haverá fogo que resista na chuva?
Será que o mundo o é, rodando ao contrario?
Existirão sonhos na vida não vivida,
que deixem que o tempo passe, devagar...

Ando suspenso numa corda meio bamba
Presa no que foi e no que não será
Um mundo meio próximo,
que nunca se unirá

Espero o vento do sul,
Uma brisa quente
que me aqueça o coração
E que me leve estas cinzas
cativas em vão

Será que ainda há flores no nosso jardim?
Terão sobrevivido a todo este inverno?
Será que ainda te lembras que estivemos la?
Ou todo este sonho fui só eu que vivi?

(Imagem: Paint to Cure: Brookside Garden Bridge - Robert Lyons)

quarta-feira, 2 de maio de 2007

Necessidades

preciso de Ti
como de uma vida para viver
preciso do teu ar
para respirar
como de luz para te ver

preciso de um caminho a teu lado
e do teu leito para descansar
preciso de um lume aceso,
fogo para te apaixonar

as tuas mãos me acalmam
e o teu sorriso me dá força
um só beijo me embala
mais que mil palavras que oiça

em mil necessidades
mil e uma és Tu
por mais que precise
não há nada que me fixe
tanto,
como Tu.

(Imagem: AlphaArt)

Sofá

A meu colo
toda a intrínseca vontade de ser
me sorri.
Ante o meu olhar pasmado,
talvez embevecido, porém embrutecido
por não esperar tal capricho.
Será que é?
Será que foi?
E tudo se transforma no rodopio
de sentires e enjoos estonteantes,
sensações semelhantes, quando era menino.
É do chocolate, só pode
E o filme é ali, estando os actores,
havendo sabores a peça acontece.
Corta!
Ainda não sei o guião!
Mas que desilusão, e tudo o que foi
é invenção?
E porque não?
Não sabendo o papel
é provável o parecer desfavorável
na próxima actuação!
E toda a manta de retalhos,
roxa de sentidos e sentires
se retalha a meus pés.
Sinto que foi bem,
por quem, para quem?
Caí o pano e desce a janela
que já é noite,
fico, saindo.
But,
"The Show Must Go On",
They say.










(Imagem: The Pommodors)

domingo, 22 de abril de 2007

Meias Palavras



Meias palavras
em meios de solidão
Futuro e passado
unidos, trocados,
lançados em musicas sem refrão.

O que fomos e o que sou
Onde estava e já não estou
Em meias palavras vivemos,
meias frases soltas se trocam,
palavras que não se tocam
Orações sem soluções,
sem predicado ou pretérito

Meias casas construídas
sobre azul e mar
meios telhados espelhados
e a luz do luar,
meio quarto crescente,
o compasso no respirar
Em camas incompletas me deito,
meias noites de sossego
e outras tantas de deleito.

Casas metades, abandonadas ruem,
ruas desertas e marés que não fluem
Meios marinheiros que se acham homens,
fazem-se ao mar e não regressam
Meios passeios ao entardecer
meias vidas passadas jamais voltam
Palavras atiradas a meias,
meias palavras lembradas
fazem sofrer.

sábado, 27 de janeiro de 2007

Irracionalidade Humana

Materializou-se,
e foi devagarinho ganhando forma de gente.
Uma mescla incandescente, rubra, quente
tão ardente mas em simultâneo inocente.

Era Outono das folhas caídas
uma estação de incertezas
de névoas, de estranhezas
e muitas consciências reprimidas.


Pouco a pouco chegou,
instalou-se a um canto apinhado,
poeirento, desarrumado
e ali se aconchegou.
Sem nunca se exaltar
cedo se fez notar
na sua rubra premente
de gesto e opinião.

Tudo olhou,
ficou louco de repente?
Muitos perderam a razão,
o norte, a sorte,
tentados de ilusão.

Cresceu, fez-se mulher.
Aquele cantinho outrora desarrumado
estava agora mobilado e cheio de luz.

O perfume,
comandante de vontades
levou muitas verdades
à beira da negação.
No fundo do coração
outras realidades há
que não encontram ligação.

Algo se encaixou, fazendo-se notar.
No escuro da noite mais negra
há sempre uma candeia a nos alumiar!

Viveu, aprendeu e fez feliz.
Na hora da partida apressa-se a despedida
com medo de partir. Não é fácil chegar,
mas difícil é mudar, sabendo
ser este o lugar.

Partiu, a silhueta desfez-se
e a luz se extinguiu.
A matéria não é gente
e gente não é certamente
o desígnio do coração.
O odor bafiento e os rolos de cotão
ocupam o seu canto favorito,
esse espaço de eleição.

Dizem que era uma manha de nevoeiro.
Ainda guardo o seu perfume trancado a pincel.

És toda a minha irracionalidade humana.

(Para Ti.)

sábado, 25 de novembro de 2006

Fábula do Infortúnio

Na calma de uma noite
Onde o céu ameaçava cair
Ousei escrever-te ao coração.
Desejei lembrar-te de mim,
Ouvindo a nossa canção

Prometeste ser a felicidade
O sorriso que ambicionava em mim.
Eu seria a tua casa,
E o teu perfumado Jardim.

O Inverno chegou mais cedo
E nada consegui fazer:
As rosas fecharam-se a medo,
O chão acabou por desfalecer.

Hoje lembro o desejo
De um dia te querer
Não fora mais que um anseio
Te poder enaltecer.

És tudo o que quero em mim
Tudo isso e algo mais
Pena acabar assim:
Embora unos, éramos desiguais.

sexta-feira, 5 de novembro de 2004

Sem Título

Palavras leva-as o vento em recortes de papel descorados
Será que ainda te lembras quando éramos namorados?

Nunca fugi
Apenas esqueci quem sou
Sempre me lembrei de ti
Como memória que o tempo guardou

quarta-feira, 25 de agosto de 2004

Vagos, Os Passos

Vagos,
simplesmente vagos:
os passos
que te levam a nada
na busca de tudo, na procura do horizonte.
Actos despidos de sentido,
Pensamentos vazios de intenções,
meras contradições; o corpo dorido,
o orgulho ferido e a paz por vencer.

Atravessando o deserto,
porém incerto de quando irá acabar.
Deserto repleto de tempo perdido,
e futuro esquecido até acordar.

Assim sobrevivo,
nesta história mal contada,
na felicidade adiada,esperando um fim qualquer.