
Esse retrato, no fundo do baú
que é o coração.
Há tanto que não o via
mesmo à mão de se encontrar.
A imagem da utopia
no meu espaço singular.
É luz na minha mão,
pedaço de papel descorado
e num instante de trovão
mil memórias de aconchego
e outras tantas de solidão.
Ora papel, ora pincel
a magia sobre a tela
e os tons de aguarela
com que pintamos sem pensar.
Cores quentes de paixão
em traços finos de emoção,
onde se aprende a amar.
Éramos cor e acção
dois sujeitos e predicado
numa única oração.
Sem imperfeito conjugado
ou qualquer outra imitação
fomos o "flash" do momento
não sendo amor de ocasião.
Nesses retratos, estavas tu
onde te pintava a olho nu
em cores lindas de encantar,
no meu espaço singular
que é o coração:
Um baú a abarrotar
de tanto te guardar
na minha recordação.
(Imagem: Pandora's Box - Arthur Rackham)

1 comentário:
Excelente contraste na tua poesia.
vejo k há sofrimento na tua escrita, por isso não desistas dos teus sonhos.
dou-te os meus parabéns
continua assim...
Enviar um comentário