A reflorestar o bosque poético.
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segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Doce

Se fosses tão doce,
como esse teu jeito doce,
como o teu respirar.
Essa forma de estar
e a maneira de olhar;
se dessa boca doce
que fala a cantar
saísse um beijo que fosse
chegava para me contentar.

Se fosses mulher,
como de doce,
como outra qualquer,
mas sem imitar
serias lua cheia
e a vista estelar;
E doce, tão doce
o céu inteiro a brilhar.

Se te quero assim, doce
por um momento que fosse
É porque há em ti um doce
à espera de se revelar.

Se te quiseres mostrar,
doce,
Eu hei de te encontrar.

O homem que espera

Enquanto espera sentado
nesse banco, num qualquer lado
de olhar alheado,
o tempo passar

Já estava combinado
como fora esperado,
como no passado,
ela chegar

Olha o relógio, insiste
espera e desiste e
vai-se cabisbaixo e triste
não há volta a dar

Sempre foram os dois
como o antes e o depois
Tempo, que cruel sois
como podes dar e tirar?

Partiu numa outra aventura
numa prova de força dura,
desta vida estranha e obscura,
que é aprender a amar.

domingo, 26 de outubro de 2008

Foi


Já não dá
o tempo já não volta
o mundo é outro
e está noutra rota.
Vão-se os pés
vêm novas marés
que apagam as provas
Todos crescemos
e a terra muda
a evolução é absurda
Tudo se vai,
e a história se esvai
entre as gotas da chuva.
Já não conheço ninguém
muda-se à toa,
mas não sinto desdém,
embora me doa...

mas um dia passa.