A reflorestar o bosque poético.
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quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Depois (do Fim)

Afasta-te!
Deixa-me viver.
Quero sentir quem sou
ver o mundo, perceber o que sobrou.
Já não há nada a dizer,
não tens o que temer
e as palavras já não trazem,
nem podem levar,
não há por onde agarrar
ou algo a tentar.
Experimentei tudo
e aguardei mudo
o gesto sorrir.
Que nunca chegaria a vir.
Espalho ao vento
os retalhos de mim,
as memorias do fim
que insistem ficar.
Eu prometo mudar.


quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Tributo ao Mestre



Encosta-te a mim
Encosta-te a mim, nós já vivemos cem mil anos
encosta-te a mim, talvez eu esteja a exagerar
encosta-te a mim, dá cabo dos teus desenganos
não queiras ver quem eu não sou, deixa-me chegar.

Chegado da guerra, fiz tudo p´ra sobreviver
em nome da terra, no fundo p´ra te merecer
recebe-me bem, não desencantes os meus passos
faz de mim o teu herói, não quero adormecer.

Tudo o que eu vi, estou a partilhar contigo
o que não vivi, hei-de inventar contigo
sei que não sei, às vezes entender o teu olhar
mas quero-te bem, encosta-te a mim.

Encosta-te a mim, desatinamos tantas vezes
vizinha de mim, deixa ser meu o teu quintal
recebe esta pomba que não está armadilhada
foi comprada, foi roubada, seja como for.

Eu venho do nada porque arrasei o que não quis
em nome da estrada onde só quero ser feliz
enrosca-te a mim, vai desarmar a flor queimada
vai beijar o homem-bomba, quero adormecer.

Tudo o que eu vi, estou a partilhar contigo
o que não vivi, um dia hei-de inventar contigo
sei que não sei, às vezes entender o teu olhar
mas quero-te bem, encosta-te a mim.

Encosta-te a Mim, Jorge Palma

sábado, 22 de setembro de 2007

Efemeridade

Mais uma noite,
só uma,
esta, nenhuma.
O ser e o estar,
unir e separar.
Sem remorso e sem perdão,
o pecado sagrado
em laços de união.
Desejas, aqueces,
actuas e esqueces.
Sempre foi assim:
chegar e partir.