A reflorestar o bosque poético.
Mantenham-se ligados!
Obrigado.

Feedback

Para mim é muito importante conhecer a vossa opinião sobre os conteúdos e formatos deste blog.
Por favor deixem as vossas criticas e sugestões.
Todos vós, leitores, fazem tão parte deste mundo como as palavras nele escritas.

Obrigado.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Laços

Um grande filme, sem dúvida. A realização, a música, os actores mas, principalmente, a mensagem.

"

Lugar nenhum mais me interessa,
agora que ele não está mais em lugar nenhum.

É bobagem chorar por laços que parecem desfeitos,
mas que continuam firmes.
Alguns laços são teimosos: às vezes pensamos
"PUFF! Laço foi ele",
Mas ele vai estar sempre ali.
Que nem alguns amores.

Eu gosto de laços firmes.
Aqueles mais difíceis de se fazer e de se desfazer,
Mas que depois de feitos e desfeitos,
podem orgulhar-se de si próprios
e falar com convicção:
Eu fui um grande laço!

"



(Vencedor do concurso: Project Direct - Youtube / HP)

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Depois (do Fim)

Afasta-te!
Deixa-me viver.
Quero sentir quem sou
ver o mundo, perceber o que sobrou.
Já não há nada a dizer,
não tens o que temer
e as palavras já não trazem,
nem podem levar,
não há por onde agarrar
ou algo a tentar.
Experimentei tudo
e aguardei mudo
o gesto sorrir.
Que nunca chegaria a vir.
Espalho ao vento
os retalhos de mim,
as memorias do fim
que insistem ficar.
Eu prometo mudar.


quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Tributo ao Mestre



Encosta-te a mim
Encosta-te a mim, nós já vivemos cem mil anos
encosta-te a mim, talvez eu esteja a exagerar
encosta-te a mim, dá cabo dos teus desenganos
não queiras ver quem eu não sou, deixa-me chegar.

Chegado da guerra, fiz tudo p´ra sobreviver
em nome da terra, no fundo p´ra te merecer
recebe-me bem, não desencantes os meus passos
faz de mim o teu herói, não quero adormecer.

Tudo o que eu vi, estou a partilhar contigo
o que não vivi, hei-de inventar contigo
sei que não sei, às vezes entender o teu olhar
mas quero-te bem, encosta-te a mim.

Encosta-te a mim, desatinamos tantas vezes
vizinha de mim, deixa ser meu o teu quintal
recebe esta pomba que não está armadilhada
foi comprada, foi roubada, seja como for.

Eu venho do nada porque arrasei o que não quis
em nome da estrada onde só quero ser feliz
enrosca-te a mim, vai desarmar a flor queimada
vai beijar o homem-bomba, quero adormecer.

Tudo o que eu vi, estou a partilhar contigo
o que não vivi, um dia hei-de inventar contigo
sei que não sei, às vezes entender o teu olhar
mas quero-te bem, encosta-te a mim.

Encosta-te a Mim, Jorge Palma

sábado, 22 de setembro de 2007

Efemeridade

Mais uma noite,
só uma,
esta, nenhuma.
O ser e o estar,
unir e separar.
Sem remorso e sem perdão,
o pecado sagrado
em laços de união.
Desejas, aqueces,
actuas e esqueces.
Sempre foi assim:
chegar e partir.

Esta Noite



Hello, I've waited here for you... Everlong.
Tonight, I've thrown myself into,
And out of the red, out of her head she sang.

Come down and waste away with me, down with me...
Slow how, you wanted it to be,
I'm over my head, out of her head she sang.

And I wonder when I sing along with you,
If everything could ever feel this real forever.
If anything could ever be this good again,
The only thing I'll ever ask of you.
You gotta promise not to stop when I say when.
She sang.

Breathe out, so I can breathe you in,
Hold you in, and now, I know you've always been
Out of your head, out of my head I sang.

And I wonder when I sing along with you,
If everything could ever feel this real forever,
If anything could ever be this good again.
The only thing I'll ever ask of you,
You gotta promise not to stop when I say when.
She sang.

And I wonder,
If everything could ever feel this real forever,
If anything could ever be this good again.
The only thing I'll ever ask of you,
You gotta promise not to stop when I say when.

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Em Ti, Parte II (Fazes-me Falta)

Sinto falta de Ti..
Adoro-te imenso e Quero-te só para mim.
Desejo-te, quero-te, ambiciono ser teu,
quero-te no meu, coração.
Quero-te Amo-te, agarro-te e deixo-te fugir
e não sei para onde ir.
Fazes-me em pó, só quero estar só,
contigo...
Agarras-me e fazes-me sorrir,
deixas-me a fluir,
em ti.
Sinto-me sem ti e não quero estar assim,
chama-me, abraça-me,
desfaz-me em pedaços,
faz-me em pó, só não quero estar só.
Vejo-me contigo, espelho-me em ti,
constroi uma trama, faz de mim o teu drama,
e eu, só para ti.
Vens-me à lembrança, num recorte dourado,
um eterno "enamorado".
Vem a mim.
Fazes-me falta.

(Water Drop, Ruben Marques)

Em Ti

Não existe nada, nem ninguém
não há um mais,
ou além.
Não concebemos espaços,
desejos, abraços,
a mais.
Não há desejos, ou laços,
não há nada que me ligue,
além,
de Ti.
Não há mais horizontes,
eu corri para lá, ainda estava cá,
contigo.
Sonhei acordado, acordei mergulhado,
em Ti.
Um suor, pesadelo, um espaço errado,
um desejo acordado,
e mais uma vez megulhado,
em Ti.
Não há nada,
não há espaço ou tempo, não há calor
que não me lembre
de Ti.













(Water Drop, Luisier Drilling)

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Parabéns

Era uma vez,
conta uma velha história de algibeira.

Uma menina pequenina
linda como a luz da lua
De seu sorriso inocente
E uma personalidade muito sua.

Os seus olhos faiscantes
de uma beleza singular
pareciam rios alucinantes
correndo soltos para o mar.

Os seus caracóis de oiro
no seu cabelo estelar
eram como ondas suaves de oceano
em noites serenas de luar.

Brincava alegremente,
pelos campos sem temor
Dava os bons dias ao sol,
ou à chuva,
imitando os bichos em redor.
Era simples, era pura
falando abertamente
sem pudor.
Era forte, era justa:
para ela
tudo tinha o seu valor.

Tudo muda com o tempo
e os dias passam a correr.
A menina cresce,
com os anos,
aprende e faz-se uma mulher.

Crescer traz sabedoria,
dá-nos força e experiência.
Superando toda a Invernia
com calma e paciência.

Manter o menino que há em nós
é importante como o crescer.
A velha doçura na voz
e a inocência do ser.
Sorrindo, a toga a gente
com uma vontade jovial
E os sonhos de sempre
num brilho sem igual.

Dia sete faz vinte e um,
três, ao todo, de menina.
Vai chegar à idade adulta
com um coração de pequenina.

Neste dia especial
todos cantam com reverência
Para lhe lembrar o ritual
de crescer com consciência.

Era uma vez uma pequenita
que logo se fez mulher.
Com uma inocência bem bonita
E uma maturidade de crescida.

Lhe desejamos os Parabéns
do fundo do coração.
Cantando a uma só voz
a antiga canção.

Parabéns,
Neste dia especial.
Que sejas muito feliz
E uma vivência sem igual.

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Hasta Enloquecer

A música não é das piores, mas o refrão é muito significativo, gosto imenso:

"
Te busqué
Debajo de las piedras y no te encontré
En la mañana fría y en la noche
Te busqué, hasta enloquecer
Pero tu llegaste a mi vida como una luz
Sanando las heridas de mi corazón
Y haciendome sentir vivo otra vez
"

A música: [Nelly Furtado Feat Juanes - Te Busqué]




"
I've been high, I've been low
I've been fast, I've been slow
Having no where to go
Missed the bus, missed the show

I've been down on my luck
I've felt like giving up
My life locked in the trunk
When it hurt way too much

Needed a reason to live
Some love inside me to give
I couldn't rest I had to keep on searching

Te busqué
Debajo de las piedras y no te encontré
En la mañana fría y en la noche
Te busqué, hasta enloquecer
Pero tu llegaste a mi vida como una luz
Sanando las heridas de mi corazón
Y haciendome sentir vivo otra vez

I've been too sad to speak
And too tired to eat
Been so low that I say
The world cut off my wings

I've been hurt by my past
But I feel the future in my dreams
And at last I wake up I'm not sure

I wanted to find a light
Something just didn't feel right
Needed an answer to end all my searchin'

Te busqué
Debajo de las piedras y no te encontré
En la mañana fría y en la noche
Te busqué, hasta enloquecer
Pero tu llegaste a mi vida como una luz
Sanando las heridas de mi corazón
Y haciendome sentir vivo otra vez

I look in the mirror, the picture's getting clearer
I wanna be myself, but does the world really need her?
I ache for the earth, I stop going to church
I seek god in the trees, makes me fall on my knees
My depression keeps building
Like a cup overfillin'
My hearts so rigid, I keep it in the fridge
It hurts so bad that I can't dry my eyes
Cause I keep on refilling it with the tears that I cry

Te busqué
Debajo de las piedras y no te encontré
En la mañana fría y en la noche
Te busqué, hasta enloquecer
Pero tu llegaste a mi vida como una luz
Sanando las heridas de mi corazón
Y haciendome sentir vivo otra vez

"

segunda-feira, 16 de julho de 2007

Aqui Estou

Não, não me apetece escrever-te algo
não estou aqui para te lembrar quem sou
sabes o que te dou,
e as palavras magoam como os minutos,
a eternidade que passo sem ti.

Escrevo a verdade da mentira,
a ilusão que criámos
e onde gravámos a sina,
esta barreira assassina, que me matou.

Porque a paixão é como o vento
que só bate um momento na face a doer,
mas o amor amarra-nos para sempre
e faz-nos o coração bater,
aqui estou.

Nós

"
se te perguntarem por nós,
sobre
que coisa fazemos quando estamos
juntos,
diz a verdade
que deslocamos os cometas sem
querer,
as estrelas para desenhos e
a lua garantindo o amor
diz a verdade sobre a intervenção
na cósmica escolha dos casais,
a obrigação de nos obedecer
não fosse o universo desentender quem
somos e favorecer a separação ou,
pior, o não nos havermos conhecido
"



Poema: Valter Hugo Mãe
Música: Paulo Praça ( álbum "Disco de Cabeceira" )

quarta-feira, 4 de julho de 2007

É Mentira

As vezes, procuro nas palavras
um refúgio para tudo o que não te disse.
Tento esconder da alma, o pó e a lama,
esconder a magoa, apagar essa chama.

E quando as palavras não querem sair
vejo-me sozinho sem saber para onde ir,
olho em volta e não vejo a saída.
Perco a resposta na ponta da lingua
para tudo o que queria dizer,
já não o sei fazer.

Porque é que a vida nos guia
para onde não queremos ir
pregando, errantes, na chuva fria
às noites quentes que ficaram por vir
Quando é mentira,
sabendo que não virás
sei que é mentira
olho em volta sabendo que não estás.
é mentira.

Nessas noites quentes de verão
sinto o imenso frio da solidão
aconchego-me à recordação
de outras noites de paixão
mas este frio interior
que me faz arder de amor
gela-me nú ao relento
sozinho,
sem pão nem sustento
ou fonte de calor.

E quando o aperto é maior
e os dias são sempre iguais
procuro mais próximo um rosto
e tento lembrar esse gosto
que me faz pensar sempre em mais
que me obriga a pedir mais

Mas é mentira,
porque a vida nos guia
para onde não queremos ir
pregando, errantes, na chuva fria
às noites quentes que ficaram por vir
Quando é mentira,
sabendo que te perdi
sei que é mentira
e a história acaba aqui.

É mentira.

sábado, 30 de junho de 2007

Se...

Hoje, depois de tudo, fiquei com um sabor especial.
Uma melodia ficou a bailar dentro da minha cabeça.
Hoje...,
hoje conto-vos assim



"
Meu coração
Sem direção
Voando só por voar
Sem saber onde chegar
Sonhando em te encontrar
E as estrelas
Que hoje eu descobri
No seu olhar
As estrelas vão me guiar

Se eu não te amasse tanto assim
Talvez perdesse os sonhos
Dentro de mim
E vivesse na escuridão
Se eu não te amasse tanto assim
Talvez não visse flores
Por onde eu vim
Dentro do meu coração

Hoje eu sei
Eu te amei
No vento de um temporal
Mas fui mais
Muito além
Do tempo do vendaval
Nos desejos
Num beijo
Que eu jamais provei igual
E as estrelas dão um sinal

Se eu não te amasse tanto assim
Talvez perdesse os sonhos
Dentro de mim
E vivesse na escuridão
Se eu não te amasse tanto assim
Talvez não visse flores
Por onde eu vim
Dentro do meu coração
"

Muitas felicidades para vocês.

sexta-feira, 29 de junho de 2007

Recordação



Esse retrato, no fundo do baú
que é o coração.

Há tanto que não o via
mesmo à mão de se encontrar.
A imagem da utopia
no meu espaço singular.

É luz na minha mão,
pedaço de papel descorado
e num instante de trovão
mil memórias de aconchego
e outras tantas de solidão.

Ora papel, ora pincel
a magia sobre a tela
e os tons de aguarela
com que pintamos sem pensar.
Cores quentes de paixão
em traços finos de emoção,
onde se aprende a amar.

Éramos cor e acção
dois sujeitos e predicado
numa única oração.
Sem imperfeito conjugado
ou qualquer outra imitação
fomos o "flash" do momento
não sendo amor de ocasião.

Nesses retratos, estavas tu
onde te pintava a olho nu
em cores lindas de encantar,
no meu espaço singular
que é o coração:
Um baú a abarrotar
de tanto te guardar
na minha recordação.

(Imagem: Pandora's Box - Arthur Rackham)

quinta-feira, 28 de junho de 2007

Masoquismo Consciente

Olá.
Estás ai?
Consegues ouvir-me pedir por mais?
Sentes o coração explodir num sufoco,
num abraço de despego material,
na recusa do amor carnal,
implorar por calor?
Vês a chaga que me arde no peito,
essa recusa de respeito
por mim, para mim, todos os dias dessa vida.
Assim, considero-me delirar
neste estado imprudente
de um Masoquismo consciente
onde me penso encontrar.
Vendo tudo se retorcer,
num aperto de doer e numa duvida de ilusão.
Nestes momentos de solidão,
onde me ponho a pensar
e que me fazem recordar
que deveria viver...

Por todos e não por nós,
entre todos estamos sós,
quando apenas os outros
são a razão, da nossa acção,
e o tema da nossa preocupação.

Neste disco meio louco,
onde só tocam temas que queremos ouvir
acabamos a repetir os mesmos erros
e a cair nos mesmo enganos que jurámos extinguir.

Na novela de Masoch
encontro a minha dama,
mulher que me chama para a trama seguir.
Nesta loucura em que me encontro
acredito ouvi-la imperar
e em suas peles ordenar, que faça o que manda.
Sigo as ordens em diante e cumpro expectante
de uma recompensa singular.
Pobre bicho sou, que a tal alucinação me dou
e em que quero acreditar.
Deveria suspeitar
que como escravo de nascença
desta vida de descrença não me poderei soltar.

Sigo acorrentado, de coração amordaçado
mais uma ordem qualquer.

quarta-feira, 30 de maio de 2007

A Um Ser Ausente


Será que o sol ainda se mostra
para lá do mar?
Naquele lugar só nosso
onde um dia ousamos sonhar?

Poderá haver calor escondido na neve?
Haverá fogo que resista na chuva?
Será que o mundo o é, rodando ao contrario?
Existirão sonhos na vida não vivida,
que deixem que o tempo passe, devagar...

Ando suspenso numa corda meio bamba
Presa no que foi e no que não será
Um mundo meio próximo,
que nunca se unirá

Espero o vento do sul,
Uma brisa quente
que me aqueça o coração
E que me leve estas cinzas
cativas em vão

Será que ainda há flores no nosso jardim?
Terão sobrevivido a todo este inverno?
Será que ainda te lembras que estivemos la?
Ou todo este sonho fui só eu que vivi?

(Imagem: Paint to Cure: Brookside Garden Bridge - Robert Lyons)

domingo, 27 de maio de 2007

Esse abraço.


"
Hold me in your arms
And never let me go
Hold me in your arms
Cause I need you so

I can see it in your eyes
There is something
Something you wanna tell me
I see it in your eyes
There is something
That you hide from me
Is there a reason why ?
There is something
Something you wanna tell me
I see it in your eyes
There is something
That you hide from me

I don't wanna say i'm sorry
Cause I know there's nothing wrong
Don't be afraid there's no need to worry
Cause my feelings for you are still strong
"

Um sorriso, a luz, calor
e um olhar cheio de amor.
Uma mão cheia de nada
e as entranhas corropidas de dor.

A distância da palavra
e a demora do gesto
um tempo infinito
no silêncio manifesto.

Porquê se tudo podia ser igual
as pessoas, as cidades, e o sol
eu e tu num circulo tal e qual,
tu e eu e um amor sem rival.

Porquê o fim
e uma vida sem sentido
tu e eu, sem ti, sinto-me sucumbido
imerso num corpo vendido
um leão sem rugido,
morto sem ter sido,
zangão sem zumbido.
Sou um homem sem abrigo.
Sem ti, sinto-me perdido.

Vem, só mais esta noite
preenche-me de amor,
dá-me algo diferente
afasta toda esta dor.
Escuta a nossa música,
dança comigo.
Abraça-me uma vez mais
sê o meu abrigo.

(rmbean feat Lasgo/ something)



sexta-feira, 25 de maio de 2007

Aguarela


Tal nuvem branca
num céu tranquilo,
gesto sereno em olhos doces,
no sorriso amor, madrugada suave.

Num lençol de seda púrpura,
palpitando a cor do mundo,
na explosão do sentir;
nos outros olhos a luz.

lembra-me a lua e o sol,
no nosso reflexo, amor,
nas viagens pelos mundos,
horizontes outros

vejo-te tão bela
aos olhos do mundo
tal ouro sobre azul
e calor de um dia de verão
no pico do inverno.

Maçã verde de Junho,
És o sonho e o desejo,
Na realidade mais pura
Nos traços de Paixão.

És um tudo e um todo
Preenchimento do ser
O amor e uma forma de viver.
E tudo o que se pode querer.

(Imagem: Penwith Art)

quarta-feira, 2 de maio de 2007

Necessidades

preciso de Ti
como de uma vida para viver
preciso do teu ar
para respirar
como de luz para te ver

preciso de um caminho a teu lado
e do teu leito para descansar
preciso de um lume aceso,
fogo para te apaixonar

as tuas mãos me acalmam
e o teu sorriso me dá força
um só beijo me embala
mais que mil palavras que oiça

em mil necessidades
mil e uma és Tu
por mais que precise
não há nada que me fixe
tanto,
como Tu.

(Imagem: AlphaArt)

Anunciação

Mil e uma vozes me calam
Mil e um sussurros me guiam
Não há estrelas no meu norte,
nem trevos, nem figas, nem sorte.

Na treva de um coração
que não ousa sentir
há mil e um gritos
prestes a explodir

Às escuras, na noite
ouço o céu:
a lua que não se vê
e a vida que não se tem
os passos que não se dão
sem saber bem porquê.

Num lago estagnado
Mil e uma pedras se arremessam
Mil e uma ondas se agitam
e vozes que gritam
e apelam à libertação.
Um anjo da anunciação
se revela a mostrar o caminho,
estando eu tão sozinho
como o poderia escutar?

Sofá

A meu colo
toda a intrínseca vontade de ser
me sorri.
Ante o meu olhar pasmado,
talvez embevecido, porém embrutecido
por não esperar tal capricho.
Será que é?
Será que foi?
E tudo se transforma no rodopio
de sentires e enjoos estonteantes,
sensações semelhantes, quando era menino.
É do chocolate, só pode
E o filme é ali, estando os actores,
havendo sabores a peça acontece.
Corta!
Ainda não sei o guião!
Mas que desilusão, e tudo o que foi
é invenção?
E porque não?
Não sabendo o papel
é provável o parecer desfavorável
na próxima actuação!
E toda a manta de retalhos,
roxa de sentidos e sentires
se retalha a meus pés.
Sinto que foi bem,
por quem, para quem?
Caí o pano e desce a janela
que já é noite,
fico, saindo.
But,
"The Show Must Go On",
They say.










(Imagem: The Pommodors)

domingo, 22 de abril de 2007

Meias Palavras



Meias palavras
em meios de solidão
Futuro e passado
unidos, trocados,
lançados em musicas sem refrão.

O que fomos e o que sou
Onde estava e já não estou
Em meias palavras vivemos,
meias frases soltas se trocam,
palavras que não se tocam
Orações sem soluções,
sem predicado ou pretérito

Meias casas construídas
sobre azul e mar
meios telhados espelhados
e a luz do luar,
meio quarto crescente,
o compasso no respirar
Em camas incompletas me deito,
meias noites de sossego
e outras tantas de deleito.

Casas metades, abandonadas ruem,
ruas desertas e marés que não fluem
Meios marinheiros que se acham homens,
fazem-se ao mar e não regressam
Meios passeios ao entardecer
meias vidas passadas jamais voltam
Palavras atiradas a meias,
meias palavras lembradas
fazem sofrer.

Sem Título

Deste-me tanto
e eu fugia do toque
como quem foge de mim.

Na descoberta das raízes divinas
fui mais que rei,
mais que eu
fui alguém que não deu

No desabafo agoniante e profundo
choro alguém que nunca soube quem foi
Alguém que me fez mais do que prometeu
Deu por dentro e por fora
construiu e não recebeu.

Na minha alcova de ritos passados
lembro um mar de noites vividas
borgas bem passadas
festas merecidas
mas sem espaço para mais que eu

Nestes retratos de nós
vejo-me sozinho e lembro-me de ti
Quem eras no meio de mim?
Lembram-me um par de perguntas
esquecidas na minha gaveta.

Casa


Neste presente que me alcançou
lembra-me uma casa cheia de luz
lembram-me janelas viradas para o mundo
e um jardim inundado de cor

Na minha casa de paredes caídas
sobra mais que toda a imaginação:
Um baú de tantas vidas,
tantas personagens que fui e já não sou

Naquele jardim onde me fiz e cresci
tenho cimento e pedras calçadas,
vejo um baloiço ferrugento e torto
onde já não andam os meninos de mim.

A minha vista debruçada para o Mundo
está cansada, cinzenta e cheia de pó
vejo prédios, azafama e corrupio
Gentes stressadas, frustradas,
sem saber para onde ir.

Neste infinito fim
que me alcançou
tenho uma lágrima suspensa de mim
Espera o momento que me tirará daqui
Aguarda o instante de me levar,
não de me matar porque já pereci.

domingo, 18 de fevereiro de 2007

Kit Aborto





E tu? Já fizeste o teu aborto hoje?

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sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007

Sem Título

Não me apetece rimar.
Sinto antes a fúria da incompreensão
crescer dentro de mim.
O calor azedo de nada e o acre
da revolta que me preenche.
Porque? As ruas desertas e
um murmúrio de silêncio.
É aqui que uma confusão se instala
e ouso fugir. Corro em pensamento
e vejo o asfalto rolar, os traços
intermitentes como o desejo passam
loucos como eu e se unem
numa linha que separa a verdade da ficção
e a mim do mundo.
No meu mundo não há luz.
Guio-me pelo vibrar das cordas
num grito choroso e demorado
que me levam a qualquer lado.
Nesse lado não há solo e caio.
A gravidade suga-me para o interior de nada.
Ouso cair, eterno e trôpego.
Não me agarro a mim,
não tenho onde me agarrar.

Acabou


Acabou,
o calor do teu abraço,
e o arrepio de frio junto ao mar.
O sorriso inocente numa troca de olhar.
Tudo acabou.
Pergunto-me porque não sinto mais
o teu cheiro no meu corpo suado,
a exaustão dos sentidos num abraço apertado
e o amor.
Descobrimos o mundo e o luar,
juntos construímos um novo despertar.
O pecado e a junção,
tudo a dois, num único coração.
Dobrámos cabos e atravessamos tormentas,
sentimos culpa e usámos o perdão.

Neste momento de fim,
tento descobrir um uso
Para tudo o que gastei em mim.

sábado, 27 de janeiro de 2007

Irracionalidade Humana

Materializou-se,
e foi devagarinho ganhando forma de gente.
Uma mescla incandescente, rubra, quente
tão ardente mas em simultâneo inocente.

Era Outono das folhas caídas
uma estação de incertezas
de névoas, de estranhezas
e muitas consciências reprimidas.


Pouco a pouco chegou,
instalou-se a um canto apinhado,
poeirento, desarrumado
e ali se aconchegou.
Sem nunca se exaltar
cedo se fez notar
na sua rubra premente
de gesto e opinião.

Tudo olhou,
ficou louco de repente?
Muitos perderam a razão,
o norte, a sorte,
tentados de ilusão.

Cresceu, fez-se mulher.
Aquele cantinho outrora desarrumado
estava agora mobilado e cheio de luz.

O perfume,
comandante de vontades
levou muitas verdades
à beira da negação.
No fundo do coração
outras realidades há
que não encontram ligação.

Algo se encaixou, fazendo-se notar.
No escuro da noite mais negra
há sempre uma candeia a nos alumiar!

Viveu, aprendeu e fez feliz.
Na hora da partida apressa-se a despedida
com medo de partir. Não é fácil chegar,
mas difícil é mudar, sabendo
ser este o lugar.

Partiu, a silhueta desfez-se
e a luz se extinguiu.
A matéria não é gente
e gente não é certamente
o desígnio do coração.
O odor bafiento e os rolos de cotão
ocupam o seu canto favorito,
esse espaço de eleição.

Dizem que era uma manha de nevoeiro.
Ainda guardo o seu perfume trancado a pincel.

És toda a minha irracionalidade humana.

(Para Ti.)

sexta-feira, 19 de janeiro de 2007

Irónico

Não é irónico?

Como o amor vai e vem como o vento.
Quanto mais gostas mais de pressa te esqueces.
Dizes que lutas e não sais magoado.
Partes cedinho, na aurora do fim.

Quando na exaltação dizias:
“Não sabes o que é amar!”
É irónico
não parti sem desejar ficar.

Quando a ironia do ser
é sobreposta pela da acção
tornam-se irónicas
muitas chamadas de atenção.

Neste cúmulo irónico
que haja alguma noção:
o mais irónico ficou
o mais sério partiu sem razão.

São as voltas da vida,
meias do coração.
Nestas ironias esquecidas
fica-nos apenas a lição.